Pensar em inclusão social remete-nos, necessariamente, ao seu reverso: a exclusão social. Apenas cerca de 1% dos deficientes físicos frequentam algum tipo de escola na maioria dos países em desenvolvimento.
A situação dos portadores dos diversos tipos de deficiência; a situação das crianças e adolescentes em conflito com a lei ou excluídas de sistemas escolares socio-educativos; a exclusão das mulheres; a exclusão de natureza socio-econômica; a discriminação que homossexuais, estrangeiros, negros, sem-abrigo e idosos sofrem na sociedade e nos ambientes escolares – são tudo assuntos por resolver.
A promoção de ambientes educacionais flexíveis e sensíveis às necessidades singulares de todo aluno não é uma tarefa fácil no âmbito da educação tradicional.
“Praticamente em toda a história da civilização a educação tem sido para a elite, e as práticas educacionais têm refletido a orientação elitista” (Blankenship e Lilly, 1981). Há quase um século, houve o reconhecimento dessa situação na educação, e grupos de defensores uniram forças e começaram a organizar-se para contrabalançar tal injustiça. Diversas pessoas comprometidas com o futuro reuniram-se para discutir e melhorar as oportunidades disponíveis às crianças e a todas as pessoas com necessidades e características diversas. As mudanças na educação ao longo dos anos assumiram muitas formas e foram feitos progressos graduais. Os desenvolvimentos têm sido cada vez mais progressistas rumo a critérios educacionais e sociais mais inclusivos.
As diferenças entre os alunos numa sala de aula estão a ser reconhecidas como uma vantagem para a aprendizagem. Como explica Robert Barth, professor de Harvard (1990, p. 514-515): “As diferenças representam grandes oportunidades de aprendizagem. As diferenças oferecem um recurso grátis, abundante e renovável... o que é importante nas pessoas – e nas escolas – é o que é diferente, não o que é igual”. Com o passar do tempo, essas mudanças promoveram uma compreensão ainda mais ampla do nosso semelhante para além dos limites das diferenças de aprendizagem individuais. A total inclusão de todos os membros da humanidade, de quaisquer raças, religiões, nacionalidades, classes socio-econômicas, culturas ou capacidades, em ambientes de aprendizagem e comunidade, pode facilitar o desenvolvimento do respeito mútuo, do apoio mútuo, da autorização própria e do aproveitamento dessas diferenças para melhorar a nossa sociedade. É durante os seus anos de formação que as crianças adquirem o entendimento das diferenças, o respeito e o apoio mútuos em ambientes educacionais que promovem e celebram a diversidade humana. Mas a promoção de ambientes educacionais flexíveis e sensíveis às necessidades singulares de todo o aluno, juntamente com a promoção de amizades e sistemas de apoio natural entre pares, não será uma tarefa fácil no âmbito da educação tradicional. “A segregação tem sido praticada há séculos e existem atitudes, leis, políticas e estruturas educacionais arraigadas que atuam contra a total inclusão dos alunos de maneira generalizada” (Stainback, Stainback e Ayres, 1996).
A inclusão, abrangendo conceitos como respeito mútuo, compreensão, apoio, igualdade e autorização, não é uma tendência, um processo ou um conjunto de procedimentos educacionais passageiros a serem implementados. Ao contrário, a inclusão é um valor social que, se considerado desejável, torna-se um desafio no sentido de determinar modos de conduzir o nosso processo educacional para promovê-la. Não haverá um conjunto de práticas estáticas, e sim uma interação dinâmica entre educadores, pais, membros da comunidade e alunos para desenvolver e manter ambientes e oportunidades educacionais que serão orientadas pelo tipo de sociedade na qual queremos viver. É somente através do trabalho conjunto de pessoas comprometidas que podemos lidar com tal desafio. Esse movimento para a mudança foi descrito por uma das grandes figuras da história, John Kennedy. Ele disse que poucos entre nós são individualmente capazes de fazer acontecer uma mudança positiva entre as pessoas, mas, à medida que cada um de nós faz sua pequena parte, cada uma dessas partes torna-se uma pequena ondulação, e essas ondulações tornam-se uma onda poderosa capaz de derrubar a montanha mais alta. A reforma educacional inclusiva é o veículo que pode permitir que todas as nossas ondulações funcionem juntas para formar essa onda.
Referências Bibliográficas
BARTH, R. A personal vision of a good school. Phi Delta Kappan, n. 71, p. 512-571,1990.
BLANKENSHIP, C.; LILLY, S. Mainstreaming students with learning and behavior problems. New York: Holt, Rinehart & Winston, 1981.
STAINBACK, S.; STAINBACK, W.; AYRES, B. In: STAINBACK, W.; STAINBACK, S. (Eds.). Controversial issues confronting special education: divergent perspectives. Boston: Allyn & Bacon, 1996.
VlLLA, R.; THOUSAND, J.; MEYER, J.; NEVlN, A. Regular and special education teacher and administrator perceptions of heterogeneous education. Burlington,
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